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Quanto custa entrar no mototurismo em 2026: a vez das trails chinesas

CFMoto Ibex e Voge DS525X chegam com precos agressivos, mas o custo real da viagem vai alem do valor na nota fiscal

Luan W Crepaldi

Luan W Crepaldi

· 8 min de leitura

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Duas motos trail adventure lado a lado em estrada de terra no cerrado brasileiro ao por do sol

Quanto custa entrar no mototurismo em 2026: a vez das trails chinesas

Entrar no mototurismo sempre teve um preço alto. Até pouco tempo atras, uma trail decente para viagem custava no minimo R$ 60 mil. Então chegaram as chinesas e mudaram o jogo. Com a CFMoto abrindo concessionárias no Brasil em maio de 2026 e a Voge desembarcando logo depois, ficou mais fácil do que nunca colocar uma trail capaz de viagem na garagem por bem menos. Mas será que o preço menor na nota fiscal se sustenta quando a conta do uso real aparece?

CFMoto Ibex 450 Ibex 700

Foto: Visem TV

O que chegou de novo: CFMoto e Voge no Brasil

A CFMoto abriu oito concessionarias de uma vez no Brasil em 30 de maio de 2026. Foram lojas em São Paulo (Vila Leopoldina), Piracicaba, Curitiba, Caxias do Sul, Porto Alegre e Rio de Janeiro, com duas unidades na capital fluminense. Junto vieram quatro modelos, e dois deles são exatamente o que quem quer viajar de moto estava esperando.

A CFMoto Ibex 450 chegou por R$ 35.990. O motor e um bicilindrico paralelo, dois cilindros trabalhando juntos, de 449 cm3 e 44 cv. As suspensões são KYB com 200 mm de curso nos dois eixos. As rodas com aro aramado tubeless e o tanque de 17,5 litros completam o pacote para quem quer misturar asfalto e terra.

Um degrau acima esta a CFMoto Ibex 700, por R$ 44.990. O motor sobe para 693 cm3 e 67,9 cv, número que coloca a moto no mesmo patamar de potência da Honda Transalp 750, com quase R$ 20 mil a menos no preço. Punhos e assento aquecidos de serie, monitoramento de pressão dos pneus (TPMS) e tanque de 20 litros são diferenciais que impressionam nesse valor.

A Voge DS525X chegou com uma proposta diferente. Motor bicilindrico paralelo de 494 cm3, com 47,6 cv e embreagem deslizante, sistema que protege a transmissão nas trocas de marcha rápidas fora de estrada. O preço ainda não foi confirmado oficialmente, mas a expectativa fica entre R$ 45.000,00 e R$ 49.000,00. A grande aposta da Voge é a garantia: cinco anos ou 60.000 km, a maior do segmento no Brasil.

Voge DS900X e DS525X

Foto: Visem TV

Os números que importam: preço, seguro e revisão comparados

O preço na nota fiscal é só o começo. Quem compra uma trail para viajar vai gastar com seguro, revisões periódicas e, no caso das chinesas, enfrenta uma incógnita extra: a tabela de seguros ainda está se ajustando para essas marcas.

Para a CFMoto Ibex 450, o seguro anual fica entre R$ 2.800 e R$ 5.000 dependendo do perfil do piloto, da cidade e da seguradora. Para a Ibex 700, a faixa sobe para R$ 4.000 a R$ 7.000 por ano.

As revisões da CFMoto tem preços tabelados. A primeira revisão, aos 1.000 km, custa R$ 371,35. As revisões aos 5.000 km e 15.000 km ficam em R$ 433,85. A dos 10.000 km sobe para R$ 772,40. A dos 20.000 km e a mais cara: R$ 1.353,65. No total do primeiro ano, com cerca de 10.000 km rodados, o custo de revisão fica em torno de R$ 1.577.

Já a Honda Transalp 750, com preço sugerido de R$ 65.545 no lançamento, valor para confirmar com a concessionaria, tem uma realidade diferente. O seguro fica entre R$ 3.500 e R$ 4.500 ao ano na cobertura completa. As revisões saem entre R$ 400 e R$ 600 a cada 6.000 km. No custo total anual, incluindo IPVA, seguro, combustível em 12.000 km e manutenção, a conta da Transalp chega a R$ 10.832 na configuração mais completa.

Honda Transalp 750

Foto: Visem TV

Mesmo pagando mais caro no seguro das chinesas, a diferença de preço de compra ainda pesa muito na conta final. Quem escolhe a Ibex 700 em vez da Transalp 750 economiza quase R$ 21.000 na compra, e esse dinheiro pode bancar muitas viagens.

O ponto fraco: rede de assistência nas estradas

Aqui está o no que toda analise honesta precisa encarar: a rede de assistência das marcas chinesas ainda está engatinhando no Brasil.

A CFMoto iniciou 2026 com oito concessionarias, todas no Sul e Sudeste. A expansão para Centro-Oeste, Nordeste e Norte e prevista, mas ainda sem datas confirmadas. Quem viaja pelo Nordeste pode ficar sem cobertura da assistência oficial em caso de pane.

A Voge tem plano ainda mais contido: três cidades na largada, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, e seis até o fim de 2026, incluindo Campinas, Belo Horizonte e Brasília. A garantia de cinco anos e positiva, mas não resolve o problema de estar com a moto na estrada sem oficina autorizada a 500 km de distancia.

A Honda, por outro lado, tem mais de 750 concessionárias distribuídas por todo o Brasil. Em qualquer cidade com mais de 50 mil habitantes, há uma oficina autorizada. Para quem planeja rodar por regiões distantes, como Pantanal, Lençóis Maranhenses ou Chapada dos Veadeiros, essa rede vale muito.

Viagem de Moto

Foto: Visem TV

Na prática: o que o piloto encontra no caminho

Imagine a cena: você sai de São Paulo com a Ibex 700 rumo a Chapada Diamantina, na Bahia. Mais de 1.500 km de viagem. Em Salvador, ainda tem concessionária CFMoto? Ainda não. Em Lençóis? Tampouco. Se a moto apresentar um problema, vai precisar buscar uma oficina independente capaz de trabalhar com o modelo, e encontrar peças fora dos grandes centros pode ser difícil.

A CFMoto afirma ter iniciado as operações com mais de 60 mil peças em estoque nacional. Mas estoque central em São Paulo não é o mesmo que peça disponível em Vitória da Conquista ou em Palmas. A logística de distribuição ainda precisa amadurecer.

Isso não significa que a Ibex ou a Voge não sirvam para viagem. Significa que quem compra uma dessas motos hoje precisa adotar uma postura mais preparada: kit de ferramentas completo, câmeras reserva para as rodas aramadas, e uma lista de oficinas independentes nas cidades do trajeto.

Trail adventure com malas de viagem em mirante da Serra Gaucha com vales e montanhas verdes

Foto: Visem TV

A visao dela e a visao dele

Para uma piloto que esta entrando agora no mototurismo, as trails chinesas abrem uma porta que antes estava fechada. Gastar R$ 65 mil em uma Transalp ainda no começo da jornada e um risco alto e desnecessário. A Ibex 450, por R$ 35.990, entrega tudo o que uma viagem de descoberta precisa: boa ergonomia aventureira, motor capaz, suspensão generosa e instrumentação digital. A diferença de R$ 30 mil pode financiar os primeiros anos de viagem, equipamentos de qualidade e ainda sobrar.

Piloto feminina com equipamento completo e viseira fume em trail no campo aberto do Brasil

Foto: Visem TV

Trail adventure em estrada de terra no Brasil entre vegetacao nativa

Foto: Visem TV

Para um piloto experiente que já tem destinos mapeados e conhece bem as estradas do Brasil, a equação muda. A Ibex 700 entrega motor e equipamentos que competem com a Transalp a R$ 44.990, quase R$ 21 mil a menos. Mas quem já rodou muito sabe o que vale uma rede de apoio quando a moto quebra em Goiás as 18h de uma sexta-feira. O piloto mais rodado tende a valorizar a tranquilidade da Honda e considera o preço extra um investimento na viagem, não um gasto.

Vale a pena? A conta fechada

A resposta direta e: depende de onde você vai rodar.

Para rotas no Sul e Sudeste, como Serra Gaúcha, Serra da Mantiqueira, Bonito e o Pantanal sul-mato-grossense, as trails chinesas são uma escolha excelente hoje. A rede de assistência já cobre bem essa faixa do pais, os preços de revisão são transparentes e acessíveis, e a diferença de preço de compra e real demais para ignorar.

Para rotas no Norte, Nordeste ou Centro-Oeste profundo, como Chapada dos Veadeiros, Lençóis Maranhenses, Jalapão e Amazônia, a Honda Transalp ainda leva vantagem. A rede de mais de 750 concessionarias e um seguro informal que não aparece na apólice, mas vale muito na hora que você precisa.

A Voge DS525X ainda e uma incógnita no uso real no Brasil. A garantia de cinco anos é o maior diferencial, mas poucos pilotos já rodaram quilômetros reais com o modelo em território nacional. Vale acompanhar os relatos nos próximos meses antes de tomar uma decisão.

No final, a conta fechada para 2026 fica assim:

  • CFMoto Ibex 450: R$ 35.990 na compra, mais ate R$ 5.000 de seguro e R$ 1.577 de revisões no primeiro ano, totalizando cerca de R$ 42.567

  • CFMoto Ibex 700: R$ 44.990 na compra, mais ate R$ 7.000 de seguro e R$ 1.577 de revisões, totalizando cerca de R$ 53.567

  • Voge DS525X: entre R$ 45.000 e R$ 49.000, preço a confirmar com a concessionaria, com seguro e revisões sem tabela divulgada

  • Honda Transalp 750: R$ 65.545 no lançamento, valor a confirmar com a concessionaria, mais ate R$ 4.500 de seguro e R$ 1.200 de revisões, totalizando cerca de R$ 71.245

A diferença de ponto de entrada entre a Ibex 450 e a Transalp 750 e de quase R$ 30 mil. Isso e muita coisa. Representa uma viagem completa a Chapada Diamantina, com pousadas, combustível e equipamentos novos.

O cenário mudou. As trails chinesas chegaram para ficar, e os pilotos que estavam esperando uma porta de entrada mais acessível para o mototurismo finalmente tem onde colocar a chave.

A segunda parte desta analise traz depoimentos de quem já rodou quilômetros reais com a CFMoto Ibex 450 e a Ibex 700 no Brasil e o que esses pilotos tem a dizer sobre o dia a dia com as novas trails chinesas.

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Luan W Crepaldi

Escrito por

Luan W Crepaldi

Criador de Conteúdo | Lifestyle Minha melhor aventura: @casalcrepaldi Vida real • Histórias • Experiências Publicidade & Parcerias Equipe Visem TV

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