Triumph faz história: Guillem Farres é campeão mundial de motocross na MX2 2026
A Triumph Motorcycles tem seu primeiro título mundial na história. Guillem Farres, piloto espanhol de 23 anos, foi coroado campeão da FIM MX2 Motocross World Championship 2026 a bordo da Triumph TF 250-X, na etapa final da temporada em Darwin, na Austrália. Com isso, a marca britânica conquistou também o título de construtores e o título de equipes — tudo em apenas três anos desde que entrou no motocross. Camden McLellan, companheiro de equipe, terminou em segundo no campeonato, garantindo uma dobradinha histórica para a Triumph.

Foto: Triumph Motorcycles
O que esse título significa para o motociclismo
Não é qualquer título. A Triumph não é fabricante nova — existe desde 1902 e é a maior marca britânica de motos do mundo. Mas nunca tinha vencido um campeonato mundial. E mais: antes disso, nenhuma fabricante do Reino Unido ganhava um título mundial de motocross desde 1965, quando a BSA conquistou o campeonato com o lendário Jeff Smith. Sessenta e um anos de espera encerrados de uma vez.
A vitória tem peso ainda maior porque aconteceu rápido. A Triumph entrou no motocross profissional em 2023, lançou a TF 250-X e em apenas três temporadas foi campeã do mundo. Para efeito de comparação, outras marcas tradicionais levaram décadas para chegar a um título dessa categoria.

Foto: Triumph Motorcycles
Uma temporada de 2026 que vai ficar na memória
A MX2 tem 19 Grandes Prêmios por temporada, e a Triumph dominou boa parte deles. Farres e McLellan juntos somaram 11 vitórias gerais, 21 triunfos em baterias e 26 pódios ao longo do ano. Em oito ocasiões, os dois terminaram juntos no pódio. Em quatro delas, foi primeiro e segundo para a Triumph.
A história da temporada foi construída etapa por etapa. McLellan abriu o ano com a primeira vitória geral da Triumph na história da categoria, na segunda etapa disputada na Espanha. Logo em seguida, assumiu a liderança do campeonato. Na sexta etapa, na França, foi a vez de Farres vencer seu primeiro GP e protagonizar a primeira dobradinha da marca. O espanhol assumiu a ponta da classificação após vencer o GP da Grã-Bretanha em julho e não largou mais. Terminou a temporada com 14 vitórias em baterias, seis triunfos em GPs — quatro deles consecutivos — e 36 pontos de vantagem sobre McLellan na classificação final.
A moto por trás do título: Triumph TF 250-X
A TF 250-X não surgiu do nada. A Triumph desenvolveu a moto em parceria com Ricky Carmichael, um dos maiores nomes da história do motocross, e Ivan Cervantes, campeão mundial de enduro. O resultado é uma moto de competição com 47,3 cv a 13.750 rpm, chassi ultraleve e suspensão KYB de alta especificação — o mesmo tipo usado pelas principais marcas de fábrica do mundo.
Além de freios Brembo, guidão Pro Taper e rodas D.I.D, a TF 250-X traz recursos eletrônicos que fazem diferença na pista: controle de largada, controle de tração, quickshifter e dois mapas de motor. Controle de largada é um sistema que ajuda o piloto a sair na frente sem deixar a roda traseira patinar demais — detalhe que pode decidir uma corrida inteira. São ferramentas que até pouco tempo atrás só existiam em motos de fabricantes com décadas de história no off-road, e a Triumph colocou tudo isso já na primeira geração.
O que muda para quem acompanha o motocross
Por muito tempo, o motocross de elite foi dominado por marcas japonesas e austríacas — Honda, Yamaha, KTM e Husqvarna. A chegada da Triumph com um título mundial em três anos muda esse equilíbrio e abre espaço para novos competidores no mais alto nível. Para quem gosta do esporte, isso é muito bom: mais disputa, mais tecnologia e mais opções de motos competitivas no mercado.
Para 2027, Guillem Farres sobe para a categoria MXGP — o topo absoluto do motocross mundial — onde vai encontrar nomes como o holandês Jeffrey Herlings. Camden McLellan permanece na MX2 para defender o título da Triumph. Os dois ainda vão representar Espanha e África do Sul, respectivamente, no Motocross das Nações, que é a competição por equipes nacionais que encerra a temporada oficial.
A visão dela e a visão dele
Para quem pilota e é fã do esporte, a conquista da Triumph ressoa de formas diferentes, mas com o mesmo entusiasmo.
Muitas motociclistas que acompanham o motocross enxergam nesse título uma prova de que marcas novas podem competir de igual para igual com as grandes. O fato de a Triumph ter investido em tecnologia de ponta — eletrônica, suspensão ajustável, parceria com campeões — mostra que o segredo não é tradição, é comprometimento. Isso inspira: se uma marca pode chegar do zero ao topo em três anos, qualquer pessoa que entra no motociclismo também pode crescer mais rápido do que imagina.
Para os pilotos que cresceram vendo o domínio das marcas japonesas, ver uma inglesa levantando o troféu da FIM é uma surpresa bem-vinda. A Triumph sempre teve identidade forte nas motos de rua — as Bonneville, Tiger e Speed Triple são ícones. Agora essa identidade vai para o off-road, e a pergunta que fica é: o que vem a seguir? Uma moto elétrica de motocross? Uma MXGP? A marca britânica mostrou que não tem medo de apostar.
E no Brasil?
A Triumph tem subsidiária com sede em São Paulo, fábrica em Manaus e 48 concessionárias pelo país. O portfólio da marca no Brasil é focado nos pilares Clássica, Adventure e Roadster — e a TF 250-X ainda não tem venda oficial confirmada no mercado nacional. Mas com um título mundial no currículo, as chances de a moto aparecer por aqui aumentaram bastante.
Para o fã brasileiro de motocross, o título de Farres chega em um momento em que o esporte cresce no país. O motocross e o enduro atraem cada vez mais gente, e ver uma marca com 48 pontos de venda no Brasil levantando a taça do mundo é um passo importante para que esse segmento ganhe ainda mais força por aqui.
O título é da Triumph. A celebração é de todo motociclista que acredita que é possível chegar lá. Fique de olho nas novidades da marca nas concessionárias mais perto de você.



