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Primeira moto: o guia completo para mulheres que querem começar agora

Duvidas, medos, modelos, preços e a historia real de quem já viveu isso - tudo o que você precisa saber antes de comprar

Juliana R B Crepaldi

Juliana R B Crepaldi

· 10 min de leitura

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Primeira moto: o guia completo para mulheres que querem comecar agora

Primeira moto: o guia completo para mulheres que querem começar agora

Você já pensou em ter uma moto, mas travou na hora de dar o próximo passo? Talvez tenha ficado em duvida sobre qual modelo comprar, sentido aquele frio na barriga achando que não e pra você, ou simplesmente não soube por onde começar. Esse guia e pra você.

São mais de 10 milhões de mulheres com CNH de moto no Brasil hoje. Em 10 anos, esse numero cresceu 64%. Só em São Paulo, 2025 foi o ano com mais habilitações femininas da categoria A de toda a historia do Detran-SP. O motociclismo nunca foi tão feminino. E se você ainda não entrou nesse mundo, talvez seja porque ninguém te explicou direito como funciona.

A gente vai fazer isso agora.

Juliana @casalcrepaldi sorrindo com capacete na mao ao lado de uma moto

Foto: Juliana Crepaldi / @casalcrepaldi

Por que cada vez mais mulheres estão entrando no motociclismo

Não e moda. E uma mudança real. A faixa de mulheres que mais tira CNH de moto no Brasil hoje esta entre 31 e 40 anos, com mais de 3,6 milhões de habilitadas nessa faixa de idade. Não são jovens atras de adrenalina. São mulheres que trabalham, tem família e estão buscando independência, praticidade e, sim, uma boa dose de prazer no dia a dia.

Os motivos são vários. Economia no combustível, agilidade no transito, liberdade para viajar no fim de semana. Mas tem algo mais difícil de explicar, que quem já pilotou entende na hora: a sensação de pegar a estrada com a moto respondendo ao seu comando e diferente de qualquer outra coisa.

E o mercado esta de olho nesse movimento. As fabricantes estão lançando modelos mais leves, com banco mais baixo e design pensado para facilitar a vida de quem esta começando, o que na pratica beneficia todo mundo.

Grupo de mulheres motociclistas em estrada brasileira

Foto: Imagem Ilustrativa

As duvidas mais comuns, respondidas de forma direta

Essas são as perguntas que aparecem o tempo todo em fóruns, grupos no Facebook e comentários no YouTube. Sem rodeios:

Preciso ter força física para pilotar?
Não. A força que você usa numa moto é muito menor do que parece. O segredo é o equilíbrio, que é uma habilidade que se aprende e que não tem nada a ver com força. A maioria das mulheres que ficam com medo por esse motivo se surpreende na primeira aula.

E se eu for baixinha? Consigo alcançar o chão?
Essa é, de longe, a duvida mais comum. A boa noticia: não precisa colocar os dois pés inteiros no chão ao mesmo tempo. Uma moto equilibrada parada só precisa de um apoio firme. Existem hoje vários modelos com banco abaixo de 760 mm, baixo o suficiente para mulheres com 1,55 m se sentirem seguras. A dica de ouro é: antes de comprar, sente na moto e veja como você se sente.

Com qual cilindrada eu começo?
Para uso urbano e aprendizado, entre 110 e 160 cc e o ideal. Essas motos são leves, fáceis de controlar e perdoam erros de quem está aprendendo. Não comece com 300 cc achando que vai crescer junto com ela. O excesso de potência no início atrapalha mais do que ajuda.

Quanto custa tudo isso além da moto?
Além do valor da moto, inclua no planejamento: CNH categoria A (entre R$ 700 e R$ 2.400 dependendo do estado), seguro (media de R$ 1.800 por ano, podendo ser menos com perfil feminino e moto pequena), equipamentos de proteção como capacete, jaqueta, luvas e bota (a partir de R$ 600 num conjunto básico de qualidade), e revisões periódicas a cada 3.000 a 5.000 km.

O pessoal na concessionária vai me enrolar?
Pode acontecer. A melhor defesa é chegar sabendo o que quer. Pesquise o modelo, o preço na Tabela FIPE e as condições de financiamento antes de entrar na loja. Se o vendedor empurrar uma moto maior ou mais cara do que você precisa, desconfie. Os melhores vendedores do ramo ajudam você a comprar o que serve para você, não o que da mais margem para ele.

É perigoso? Como me proteger?
Moto tem risco, isso é verdade. Mas risco e perigo não são a mesma coisa. O risco diminui muito com equipamento adequado, aulas de pilotagem defensiva e atenção no transito. Quem pilota com capacete homologado pelo Inmetro, jaqueta com proteções, luvas e bota já esta numa situação muito melhor do que a maioria.

Juliana @casalcrepaldi fazendo aulas de pilotagem na ABTrans

Foto: Juliana Crepaldi / @casalcrepaldi

O que observar na hora de comprar: checklist prático

Antes de assinar qualquer papel, passe por essa lista:

Altura do banco: sente na moto com o sapato que vai usar normalmente. Você consegue apoiar pelo menos um pé com firmeza no chão? Se sim, está ótimo. Motos com banco ate 760 mm são as mais indicadas para mulheres com altura entre 1,55 m e 1,65 m.

Peso da moto: motos ate 130 kg são as mais manejáveis para quem esta começando. Acima disso, manobras em baixa velocidade, estacionar e levantar a moto se ela cair ficam mais difíceis.

Cilindrada: 110 cc a 160 cc para uso urbano e viagens curtas. 160 cc a 250 cc se você já sabe que vai querer pegar uma estrada depois.

Test drive: toda concessionária deveria deixa você dar uma volta. Peça, se não deixar, desconfie. Esse é o momento de sentir como a moto responde, se o guidão esta na altura certa e se você se sente confortável.

Documentação: exija nota fiscal, manual e certificado de revisão de fábrica. Nunca compre moto sem documentação completa, nem de particular, nem de loja.

IPVA e DPVAT: pesquise o valor do IPVA antes de fechar o negocio. Varia por estado e por valor de mercado da moto. Some esse custo no planejamento anual.

Seguro: compare pelo menos três cotações antes de escolher. Para motos pequenas com perfil feminino adulto, o seguro costuma ser mais barato do que o esperado.

Rede de assistência: prefira marcas com concessionária e oficina credenciada perto de onde você mora. Na hora da revisão ou de um problema, isso faz toda a diferença.

Motos para iniciantes em concessionaria com banco baixo

Foto: Imagem Ilustrativa

A historia da Juliana Crepaldi: de carona a pilota

Durante 13 anos, Juliana Crepaldi foi carona. Sentada atras do marido Luan, ela viajou por quilômetros por esse Brasil. Mas em algum momento, algo mudou por dentro.

Ela ficou com medo de que alguma coisa acontecesse ao marido numa viagem longa e ela não soubesse o que fazer. Dependia totalmente dele para pilotar. Isso a incomodou.

Mas a voz que mais falava alto dentro dela não era o medo do perigo. Era a duvida sobre si mesma: Onde já se viu tirar carteira de moto aos 38 anos?

Foram seu marido e o filho mais velho, que acabara de completar 18 anos e estava tirando a CNH junto com ela, que a empurraram para a escola de pilotagem. Em setembro de 2018, Juliana se matriculou. Foram 16 aulas. Ela passou no exame de primeira.

A primeira moto dela foi uma Yamaha NMAX 160, uma scooter. Ela escolheu assim de proposito: queria algo que a deixasse confiante, que fosse leve e automática, sem a pressão de lidar com cambio logo de cara.

Hoje, Juliana já evoluiu para motos bem maiores. Mas guarda na memória daquele começo com carinho, e com uma lição clara: começar pequeno não é fraqueza, e inteligência.

Junto com o marido, ela criou o canal @casalcrepaldi no YouTube e Instagram, que mistura viagens de moto, aventura e a realidade do dia a dia de um casal apaixonado por duas rodas. Os dois também apresentam o Epa.Cast, o podcast do universo moto da Visem TV.

Juliana @casalcrepaldi pilotando sua moto em viagem sozinha

Foto: Juliana Crepaldi / @casalcrepaldi

A visão dela e a visão dele

A visão dela

Para quem ainda não deu o primeiro passo, o maior obstáculo costuma ser interno. A moto em si é o de menos. O que pesa é o que a gente pensa sobre si mesma antes de tentar. Será que consigo? Será que sou velha demais? Será que é perigoso demais? Essas perguntas aparecem para todas. A diferença entre quem começa e quem não começa, na maioria das vezes, é simplesmente a decisão de tentar uma aula e ver o que acontece.

Outra coisa que mulheres relatam muito: a sensação de liberdade que vem logo nas primeiras semanas de pilotagem. Não é exagero. Ter sua própria moto, saber que você pode ir onde quiser no seu tempo, sem depender de ninguém, isso muda alguma coisa por dentro.

A visão dele

Quem já pilota há anos e tem uma mulher, namorada, irmã ou amiga que esta pensando em começar, o melhor que pode fazer é apoiar sem pressionar. Deixar o processo ser dela. Não ficar ensinando demais nas primeiras aulas, isso é trabalho de instrutor. E, principalmente, não comparar o ritmo de aprendizado com o seu. Cada pessoa aprende no tempo certo.

O que homens que pilotam junto com mulheres relatam é que a presença delas muda o grupo. A pilotagem fica mais cuidadosa, a atenção aumenta, e as histórias ficam mais ricas. O motociclismo ganhou muito quando as mulheres chegaram.

Juliana @casalcrepaldi pilotando sua moto pela Patagonia Argentina

Foto: Juliana Crepaldi / @casalcrepaldi

Luan e Juliana @casalcrepaldi em viagem de moto pela Patagonia Argentina

Foto: Juliana e Luan Crepaldi / @casalcrepaldi

Modelos mais indicados para quem está começando

Sem firula: esses são os modelos que combinam leveza, acessibilidade e facilidade de manejo para quem esta dando os primeiros passos.

Honda Pop 110i, a partir de R$ 12.860
A moto mais leve da Honda no Brasil: 87 kg de peso seco e banco a 745 mm do chão. É automática e perfeita para uso urbano. Faz ate 49 km por litro. Ótima para quem mora em cidade grande e quer praticidade antes de tudo.

Honda Biz 125, a partir de R$ 12.850
O clássico dos clássicos. Banco a 749 mm, peso de 96 kg e cambio automático. Faz ate 52 km por litro. Tem uma rede enorme de assistência por todo o Brasil, o que traz tranquilidade para quem esta começando.

Yamaha NEO 125, a partir de R$ 13.090
Scooter automática com 97 kg de peso. Design moderno, econômica e muito fácil de pilotar. Boa opção para quem quer algo com cara mais atual sem abrir mão da facilidade.

Honda CG 160 Fan, a partir de R$ 18.980
Se você já sabe que vai querer ir além da cidade, a CG 160 Fan e um passo natural. Banco a 796 mm (um pouco mais alto, fique atenta), 119 kg e cambio manual com 5 marchas. Muito confiável, peças fáceis de encontrar e ótima para estradas.

Yamaha NMAX 160, a partir de R$ 23.290
A escolha da própria Juliana Crepaldi para começar. Scooter com 131 kg, banco a 765 mm, ABS nas duas rodas e controle de tração. Mais cara, mas entrega conforto, tecnologia e segurança acima da média para quem começa.

Honda Pop 110i 2026

Honda Pop 110i 2026 | Foto: Site Oficial Honda Motos Brasil

Honda Biz 125 2026

Honda Biz 125 2026 | Foto: Site Oficial Honda Motos Brasil

Yamaha NMAX 160 2026

Yamaha NMAX 160 2026 | Foto: Site Oficial Yamaha Brasil

Você está mais pronta do que imagina

O medo antes de começar é completamente normal. Toda piloto que você conhece, seja a que faz viagens longas, seja a que usa a moto para trabalhar todo dia, passou pela mesma duvida que você esta tendo agora.

A diferença é que elas decidiram tentar.

Comece pelo básico: pesquise uma escola de pilotagem na sua cidade, marque uma aula experimental e vá. Antes de comprar qualquer moto, antes de escolher o modelo, antes de pensar em seguro. Só vá. O resto vem naturalmente.

E quando você comprar sua primeira moto, conta pra gente. Deixa nos comentários qual foi o modelo, o que pesou na decisão e como foi a primeira vez que você saiu sozinha. Cada história dessas vale ouro para outra mulher que esta exatamente onde você estava antes de começar.

E se precisar de mais algumas dicas ou ajuda, chame a Ju do @casalcrepaldi ela vai com certeza adorar ajudar você !

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Juliana R B Crepaldi

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Juliana R B Crepaldi

FAMÍLIA MEU BEM MAIOR Pós aos 45 anos é ser velha para pilotar ? @casalcrepaldi host - @epa.cast Motociclismo real 🏍️🛵

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